Como a informação sensorial é processada?

Agora você está sentado em frente ao computador lendo este texto. Seus órgãos dos sentidos estão captando diversas informações do ambiente e deixando você a par do que ocorre, mesmo sem você ter consciência disso. Alguns processos ficarão conscientes assim que você precisar.

Esta “consciência” do ambiente começa por dois processos básicos. O primeiro é a Sensação, que é uma experiência imediata do estímulo ambiental (por exemplo, externo – luz, ou interno – dor), é sua detecção e codificação pelo nosso corpo. O segundo processo é a Percepção, que é a integração desta informação de modo organizado que nos faz ter consciência dos objetos e do ambiente ao nosso redor. Na prática estas distinções são apenas didáticas, pois estes processos ocorrem de forma muito rápida e integrada. Em condições de laboratório é até possível separá-las, mas no cotidiano é praticamente impossível. Por isso chamamos estes dois processos de percepção.

O modelo básico de como ocorre à percepção está abaixo:


Figura 1. Processo básico da informação. O Estímulo pode ser qualquer informação tanto do ambiente externo (calor, por exemplo) quanto interno (dor de barriga).
               
Vamos explicar o modelo com um exemplo. Você está aí em frente ao computador e há um Estímulo (uma picada na perna). Depois disso, você passa a Perceber este Estímulo, então você o Interpreta (Cognição): o que sinto? Dor. Onde? Perna direita. O que pode ser? Uma muriçoca! Por fim você tem uma Resposta a isto (Você olha o que é, ou então dá um tapa na perna). Todo este processo é modulado pela Atenção. Ela faz com que nos concentremos em algo, no caso a picada. Devido a sua importância, haverá um texto específico para Atenção. De modo geral, este processo vale para todos os sentidos.

Figura 2. Muriçoca. Além da picada, este inseto pode nos chamar atenção pelo seu zumbido infernal! Fonte: Viva Terra 



A percepção é feita através dos nossos órgãos dos sentidos. Você deve ter aprendido que possuímos 5 sentidos: Audição, Gustação, Olfação, Tato e Visão. Porém, existem outros sentidos que começaram a ser mais bem entendidos e aumentam esta lista: Cinestesia ou Propriocepção, Dor, Equilíbrio, Percepção do Tempo e Sentidos Orgânicos (sede, fome, oxigenação e sexo).

A percepção, e em especial a percepção visual, é objeto de estudo há séculos. Os gregos antigos propunham duas teorias. Ptolomeu e Euclides propuseram a teoria da “Emissão”, em que raios emanavam dos olhos e eram interceptados pelos objetos. Outra teoria, proposta por Aristóteles, era a da “Interceptação” ou “Intromissão” em que formas representativas dos objetos entravam nos nossos olhos.

Séculos depois, Ibn al-Haytham ou Alhazen (965 – 1040) deu outra explicação que é mais próxima da aceita hoje. Ele demonstrou que é a luz refletida pelos objetos que chegam até os olhos. Seus estudos, com métodos experimentais, criaram as bases da Óptica. Outro pesquisador de grande importância foi Hermann von Helmholtz (1821 – 1894) ao propor que a visão é feita a partir de dados incompletos, com base na percepção prévia. Mais recentemente ainda tivemos outros grandes nomes, como James J. Gibson (1904 – 1979) com sua teoria ecológica e David Marr (1945 – 1980) com sua teoria computacional da percepção.

Cabe ainda ressaltar que os sistemas sensoriais são parte do sistema nervoso. Cada sistema é responsável por um tipo específico de informação, por exemplo, os olhos pela energia eletromagnética radiante (veja mais aqui). Esta estimulação chega até os órgãos dos sentidos e depois é transformada em impulsos nervosos através de um fenômeno chamado transdução. A partir deste ponto nosso sistema nervoso central está apto a interpretar a informação.

Através de processos evolutivos, cada sistema sensorial se tornou capaz de responder a apenas uma faixa do total de informação ambiental disponível. Por exemplo, a maioria dos vertebrados percebe a informação visual (luz) apenas na faixa entre 380 e 760 nanômetros (um bilionésimo de metro). Para entender melhor isto, leia o texto “Aos gregos o mar era violeta”.

Por fim, cabe salientar que a percepção é estudada por diferentes métodos, através de eletrofisiologia, neuroimagemneuropsicologia, psicofísica, etc. Para mais informações sobre o processo neural da percepção, você pode pesquisar nas referências citadas abaixo.

Quer baixar o texto? Clique aqui.

Bruno Marinho de Sousa
Mais sobre o assunto:

Schiffman, H. R. Sensação e Percepção. 5ª Ed. Rio de Janeiro: LTC, 2005.

Guyton, A.C.; Hall, J.E. Tratado de Fisiologia Médica. 11ª ed. Rio de Janeiro: Elsevier Ed., 2006.

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